Pastoralzinha

 

Nós agentes da pastoral da sobriedade percebemos a necessidade de trabalhar a co-dependência não só com os adultos, mas também iniciar um trabalho diferenciado com as crianças co-dependentes. Percebemos essa necessidade quando com o aumento do número de crianças e os pais não tinham com quem deixá-las, como muitas delas já vivem os problemas em casa, não é aconselhável que participem de grupo da reunião com os adultos.

TRABALHANDO O UNIVERSO INFANTIL

Criança tem um jeito próprio de entender e conceber as alegrias e dificuldades ao seu redor. Não podemos exigir dela uma maturidade que a idade muitas vezes não comporta. Não podemos permitir que elas vivam sofrimentos que não são necessários. Não podemos mascarar a situação e mentir, mas também não devemos culpá-las ou exigir delas respostas para os problemas dos adultos, como muitas vezes acontece no caso da dependência química em casa.

Cada um de nós se sente impotente na infância diante de nossos pais e autoridades. Diante do mundo das drogas dentro de casa, para a criança não há alternativas: submete-se, rebela-se ou retira-se. Criamos uma "armadura' para nos defendermos e para sobrevivermos

Para a criança, é uma questão de vida ou morte. A criança tende a negar tanto a realidade quanto os sentimentos em relação á realidade e cria uma fantasia com a qual é mais fácil viver. Com a prática ela torna-se muito habilidosa em proteger-se da dor dessa maneira, mas ao mesmo tempo perde a capacidade de livre escolha sobre o que está fazendo, já que age no “piloto automático.”

A Co-dependência ou o amar demais são desenvolvidos, principalmente, naquelas crianças que, por uma razão ou outra, receberam ou perceberam de seus pais mensagens com duplo sentido. Algo como: "Quero brincar, mas não posso porque estou trabalhando". "Vou chegar mais tarde e então não vou poder ajudar você com os deveres da escola". "Não chore, esse machucado não é nada". Podem criar um estado de confusão e comprometem o desenvolvimento da criança e, futuramente no adulto. Toda vez que a criança não puder lidar com a dor da rejeição ou do sentir-se abandonada, desmentida em seus sentimentos ou preterida, mesmo quando não puder decodificar a mensagem de seus pais com um único sentido, irá negar esse sentimento e criará imediatamente um padrão de comportamento baseado na fantasia, no irreal, o seu mundo particular.

Esta é uma das marcas da síndrome da co-dependência infantil: a negação é uma defesa da personalidade que conduz a criança, e depois o adulto, á sensação, á ilusão de que está com o controle da situação.
Quando uma criança se sente rejeitada - e vocês sabem que toda criança se sente assim, seja seu sentimento justificado ou não, isso não faz qualquer diferença sob o ponto de vista da criança - na maioria das vezes, ela se sente rejeitada por um dos pais em particular. Insisto em lembrar que isso não precisa necessariamente ser uma realidade. Na verdade, aquele que entre os pais mais lhe parece rejeitá-la talvez lhe tenha um amor mais real que o outro. Mas o que conta é como a criança sente essa rejeição no acúmulo das impressões interiores que formam as IMAGENS: as conclusões errôneas rígidas e os padrões do seu emocional que daí se originam. E a dor da criança é a sua dor, ela pode mesmo não ter vivido o abandono e a rejeição, mas, se os interpretou como tal é o suficiente...

Quando sente-se rejeitada, a criança começa a criar sua IMAGENS a partir de conclusões e crenças errôneas rígidas, e é com essa rigidez que condiciona seu padrão emocional - isso é fácil de entender quando observamos uma família numerosa... Cada um terá uma interpretação da sua realidade.
Esse muitas vezes é o universo das crianças amadas e amantes, que convivem com o problema da dependência química. Por isso é necessário cuidar particularmente de cada uma delas: “quem planta amor, colhe amor”.

A PASTORALZINHA

Nesses dois anos de sala da pastoral com criança, já vimos muita coisa acontecer. Aparecem crianças extremamente carentes de amor e afeto, que precisam de carinho, de atenção e de colo. Crianças com fome, sem banho, sem o mínimo de cuidado necessário, crianças com dificuldade de aprendizado escolar, de desenvolvimento físico, mal falam e mal andam, estão abaixo do peso e outros problemas de saúde.

Aparecem também crianças que tem tudo, tem computador, boa escola, as roupas que querem, os brinquedos que querem, só não têm os pais, a educação e o amor necessário para se tornarem bons cidadãos. Muitos no início não tem respeito, não tem consideração visto que em casa eles podem fazer o que querem.

Hoje desenvolvemos um trabalho, e outros estão em projeto, justamente para trabalhar com a criança em seu psicológico, espiritual e físico, para que ela cresça em estatura sabedoria e graça como o Menino Jesus.
Para um bom aproveitamento dividimos a sala entre crianças de 0 a 10 anos e adolescentes de 10 a 14 anos.

Com os pequenos buscamos descobrir quais são suas dificuldades em casa através de desenhos, recortes, dinâmicas, conversas e outros. Trabalhando assim cada passo da pastoral da sobriedade de uma maneira diferente, permitindo que eles também sejam curados das feridas que trazem seja no corpo ou na alma.
Muitas vezes é necessário conversar com os pais e entender o universo que a criança vive afinal elas são reflexos dos pais e da vida familiar que têm.

Com os adolescentes já podemos tratar de assuntos como as drogas e tudo o que eles experimentam em casa de maneira mais clara e objetiva, com conversas em grupo ou particular como uma sala de auto-ajuda, filmes, músicas, oficinas de sentimento e das maneiras como for suscitando e eles forem permitindo.
Realizar com eles um resgate de valores, de dignidade, conhecer os direitos e deveres como cidadãos do céu e da terra, pra que eles cresçam sem trauma independente da realidade que vive em casa.
Preocupamo-nos muito em deixar um mundo melhor para os nossos filhos,
Agora é hora de nos preocuparmos em deixar filhos melhores para o nosso mundo.

 

 

 

COMUNIDADE CORPUS CHRISTI - Santa Bárbara d'Oeste/SP
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