“Feliz o homem que assim encheu sua aljava”



26 outubro, 2014


O título deste artigo é o Salmo 126, versículo 7. É uma verdade que foi esquecida por muitos ao longo dos anos e, infelizmente, são poucos aqueles que ainda hoje sentem alegria em ser abertos ao dom da vida.

Era muito comum no tempo de nossas avós, e até de nossas mães, as famílias serem numerosas, com muitos filhos, e, apesar de toda dificuldade, a alegria imperava. Hoje vivemos numa sociedade contraceptiva, onde ter dois filhos é exagero.

As pessoas alegam que querem dar a seus filhos aquilo que não tiveram e então enchem a casa de brinquedos sofisticados, pagam escolas particulares, aulas de inglês, francês, espanhol e tantas outras atividades extracurriculares. As roupas e sapatos são da melhor qualidade, e muito cedo abrem uma poupança para a faculdade dos pequenos, e então se perguntam: “Como poderemos fazer tudo isso tendo muitos filhos?”. De fato, se os pais não tiverem uma boa condição financeira, nada disso será possível, mas se esquecem de que tudo isso são bens materiais e passageiros. Preocupam-se em dar tantas coisas, mas se esquecem de que o carinho, o amor e a presença são muito mais importantes do que qualquer outra coisa; se esquecem que o melhor presente que podem oferecer a um filho são seus irmãos, pois é assim que eles irão descobrir e vivenciar o amor, a partilha e a família.

Talvez seu filho nunca se lembre qual foi o presente que ganhou no aniversário de cinco anos, mas com certeza ele nunca se esquecerá daquela ida ao zoológico, daquele piquenique, daquela viagem à praia ou à fazenda, porque realmente o que importa é a presença da família; sãos os momentos que passam juntos.

Alguns médicos têm ficado assustados com o crescente número de crianças depressivas, hiperativas, com problemas psiquiátricos, e têm defendido a teoria de que elas precisam da presença e referência de pai, mãe e irmãos.

Deus deu aos casais a graça e a missão de serem co-criadores com Ele, e isso é duma dignidade sem tamanho; é o que tem de mais belo na vocação matrimonial.

Conheço muitos casais que morrem de medo de ter filhos. Querem primeiro conquistar o êxito profissional e pessoal e deixam por último a maternidade e a paternidade. Alguns, ainda, têm feito a opção radical de não terem filhos. Essa mentalidade é influência da cultura de morte que foi de modo sutil entrando nos corações das pessoas e as tornando insensíveis e fechadas à vida.

Deus nos presenteou com o dom da fertilidade, mas quando nos fechamos à vida, optando pelo uso de métodos contraceptivos, tornamos aquilo que é potencialmente fértil, estéril, e automaticamente nos fechamos à graça que Deus quer nos dar.

“A tarefa  fundamental da família é o serviço à vida. É realizar, através da história, a bênção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração de homem a homem.  Fecundidade é o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da plena doação recíproca dos esposos” (Familiaris Consortio, 28).

Não tenhamos medo da vida e da benção que Deus tem para nós. Sejamos generosos com Ele e com certeza ele será muito mais conosco.


Eliene Lucas – Oblata Corpus Christi



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