A oração do Pai-Nosso (parte 7) – “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”



16 maio, 2014


Continuando nossa meditação sobre o Pai-Nosso, segundo comentários extraídos do livro “Jesus de Nazaré”, de Bento XVI, veremos hoje o quinto pedido da oração: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Se rezamos a Deus para que nos perdoe assim como perdoamos os demais, este pedido supõe que haja culpa; culpa entre os homens e culpa diante de Deus. A culpa entre nós, homens, é como algo que fere a verdade e o amor, e contrapõe-se a Deus, que é, justamente, verdade e amor. Nossa história gravita em torno da culpa e de culpados e vencê-la tornou-se questão central da nossa existência. A culpa clama por vingança, tornando-se um mal cada vez mais inevitável.

Jesus nos ensina, neste pedido, que a culpa pode e deve ser vencida pelo perdão e não por meio da vingança. Deus nos perdoa, mas o perdão de Deus só pode penetrar em nós se formos capazes de perdoar nossos irmãos.

Ninguém pode ir até Deus sem estar reconciliado com o irmão. Reconciliar-se com o irmão, ir ao seu encontro é prova de amor a Deus. Jesus mesmo nos diz: “Se ao trazeres a tua oferta ao altar e aí te lembras que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa aí a tua oferta sobre o altar; vai e reconcilia-te primeiro com o teu irmão; então vem e sacrifica a tua oferta” (Mt 5,23s). Veja o exemplo do próprio Deus: Como estávamos irreconciliados diante d’Ele, saiu da sua divindade – em Jesus – e se dirigiu a nós, para nos reconciliar. Na última ceia, antes de sua oferta, ajoelhou-se diante dos discípulos e lavou-lhes os pés sujos e os purificou com amor. No Evangelho de Mateus (cf Mt 18, 23-25) temos uma parábola: um alto funcionário do rei tinha recebido perdão de sua dívida, de quantia inimaginável. Este, por sua vez, não foi capaz de perdoar a um que lhe devia uma quantia ridícula. Bento XVI conclui: “Seja o que for que tivermos perdoado uns aos outros, é pouco perante a bondade de Deus que nos perdoa”.

Mas o que é realmente perdoar? A culpa é uma realidade que provocou e provoca destruição e que deve ser vencida. O perdão, portanto, não pode ser um simples ignorar ou esquecer. A culpa deve acabar, por isso o perdão custa. Custa para quem perdoa, que deve “queimar” interiormente o mal que lhe fora feito, acolhendo, ao mesmo tempo, o irmão culpado, vencendo o mal.

Deus criou o mundo a partir do nada, apenas com uma palavra, mas a culpa do homem só pôde ser vencida quando Ele próprio se pôs em jogo, fazendo-se sofredor em Jesus Cristo. “A vitória sobre a culpa custa o empenho do coração”. E esse empenho nosso não é suficiente: só se tornará eficiente quando entrarmos em comunhão com Aquele que carregou sobre si o nosso peso.

O pedido de perdão é uma oração profundamente cristológica.  Este pedido nos recorda o próprio Filho de Deus, que experimentou em si mesmo o perdão, suportando o mal e morrendo na cruz. Ele nos chama, para que junto d’Ele, também nós suportemos e acabemos com o mal, por meio do amor. “E quando todos os dias tivermos de reconhecer quão poucas são as nossas forças para aí chegarmos, então esse pedido do Pai-Nosso oferece-nos a grande consolação de os nosso pedidos estarem guardados na força do Seu amor e com Ele, por Ele e n’Ele, poderem tornar-se força de salvação”.

Adilson Angolini – Oblato Corpus Christi


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