A oração do Pai-Nosso (parte 6) – “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”



24 março, 2014


Segundo comentários extraídos do livro “Jesus de Nazaré”, de Bento XVI, meditaremos sobre o quarto pedido do Pai-Nosso: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”.

Apesar de nos orientar para aquilo que é essencial, ou seja, o Reino de Deus e a sua justiça, Jesus sabe que temos necessidades de coisas terrenas.  O mesmo Jesus que diz “Não vos preocupeis com a vossa vida, nem com o que haveis de comer…”, ensina-nos a pedir o pão de cada dia. Se Deus Pai não nos der alimento, quem nos dará? A terra por si só não pode produzir nada se não receber sol e água dos céus. Não podemos dar vida a nós mesmos; ela não está em nossas mãos. Nosso orgulho cai aí por terra. Podemos e devemos pedir. Se nossos pais terrenos nos dão boas coisas, assim também Deus não nos negará aquilo que só Ele pode nos dar.

Não podemos esquecer que rezamos no plural pedindo o “pão nosso”, portanto, ninguém pode, por esse pedido, pensar apenas em si. Pedimos também o pão para os outros, e quem tem abundância de pão é chamado a repartir. Cada dentada que damos no pão é, de alguma maneira, dentada no pão que a todos pertence, no pão do mundo. Como é que alguém pode, depois da oração do Pai-Nosso, dispensar-se da ajuda a todos os homens no pão cotidiano? É como que, depois desse pedido, o Senhor nos dissesse: “dai-lhes vós mesmos de comer”.

Quem pede o pão para hoje é pobre. O pobre pede apenas o necessário para a vida. Supõe-se que tenha renunciado a tudo pela fé e pelo Reino de Deus, e lhe é proibido o preocupar-se com o amanhã. “É preciso que haja sempre na Igreja homens que abandonem tudo para seguir o Senhor; homens que confiem radicalmente em Deus, na sua bondade que nos alimenta – homens, portanto, que deste modo constituam um sinal da fé, que nos sacode da nossa ausência de pensamento e da nossa fraqueza de fé

Os Padres da Igreja – quase todos eles – entenderam que este pedido do Pai-Nosso trata-se de pedido Eucarístico. Tanto é que o rezamos na Santa Missa diante da mesa Eucarística. Isso não significa que o sentido terreno do pedido, que acabamos de explicar, tenha se perdido.

No Evangelho de S. João, capítulo 6, o qual contém o discurso de Jesus sobre o pão, abre-se grande espaço para esse tema. No princípio Jesus não quer despedir com fome os homens que o escutaram, sem antes dar-lhes de comer, portanto, sem o “pão necessário”, do qual se precisa para viver. Mas Jesus não fica por aí, e não reduz o pão somente às necessidades biológicas, ao dizer que “O homem não vive somente de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. A multiplicação do pão recorda-nos o milagre do maná no deserto e aponta-nos para o autêntico alimento do homem, o “Logos”, a Palavra Eterna, o Verbo Encarnado do qual viemos e para o qual vivemos.

“O pedido do pão cotidiano para todos é essencial precisamente na sua concretização terrena. Mas do mesmo modo também nos ajuda a ultrapassar o simplesmente material e a pedir já agora o pão “de amanhã”, o novo pão. E, à medida que hoje pedimos o “de amanhã”, seremos aconselhados a viver já hoje a partir do de amanhã, a partir do amor de Deus, que a todos nos chama para a responsabilidade de uns pelos outros.”

Adilson Angolini – Oblato Corpus Christi


COMPARTILHE ESTA PAGINA


Deixe um comentário

     
 Notícias

  14 dez, 2015
Papa abre a Porta Santa da Basílica de São João de Latrão

  13 dez, 2015
Pais perdem guarda dos filhos por serem “muito cristãos”

  13 dez, 2015
Bispos norte-americanos pedem ação urgente contra ‘pecado mortal’ da pornografia

  21 abr, 2015
O número de católicos aumentou 12%


 O que estamos fazendo
 
  1 nov, 2016
… para a galerinha de 08 a 10 anos

  29 jun, 2016
Não perca!