A oração do Pai Nosso (parte 3) – “Santificado seja o vosso nome”



12 dezembro, 2013


Em continuação à meditação do “Pai-Nosso”, segundo comentários do papa emérito Bento XVI, extraídos do livro “Jesus de Nazaré”, vamos refletir agora sobre o primeiro pedido do Pai-Nosso: “Santificado seja o vosso nome”.

Esse pedido do Pai-Nosso nos remete ao segundo mandamento da lei de Deus: “Não tomar seu santo Nome em vão”. Mas o que significa o nome de Deus? Vem à nossa imagem a figura de Moisés, no deserto, diante da sarça que ardia, mas não se queimava, não se consumia. Ao observar a sarça ardente, Moisés tenta se aproximar, movido pela curiosidade, mas uma voz, saindo do meio da sarça lhe diz: “Eu sou o Deus dos teus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e o Deus de Jacó”. Deus confere a Moisés a missão de libertar seu povo da escravidão do Egito e conduzi-lo à terra prometida. Moisés deveria fazer tudo isso em “Nome” de Deus.

No mundo daquela época havia muitos deuses, e Moisés pergunta-lhe pelo nome. Como esse Deus se identificaria face aos outros deuses? Mas aquele que chama Moisés é realmente Deus; é realmente único. Este Deus não pode entrar no mundo dos deuses como um entre muitos. Este Deus não pode ter um nome entre outros nomes.

Deus responde a Moises: “Eu sou o que sou”. Deus – é – simplesmente; ou, simplesmente, Deus é aquele que é. Assim, esse nome é nome e não é nome ao mesmo tempo. Em Israel, era correto que o nome de Deus, que fora escutado na palavra YHWH (O Deus que é) não fosse pronunciado e não fosse tido como qualquer outro nome, de qualquer outro deus. Por isso, não era correto que nas traduções da Bíblia, este nome tão misterioso e inefável, fosse escrito como outro nome qualquer, para que o mistério de Deus, o qual não se traduz em imagens e nome que se possa pronunciar, pudesse cair no esquecimento de uma história geral da religião.

Deus se recusou simplesmente ao pedido de Moisés, não dizendo seu nome? O que é propriamente um nome? O nome cria a possibilidade de chamamento. O nome estabelece uma relação. Quando Adão dá nome aos animais, não significa que ele explica a essência dos animais, mas que os traz para o seu mundo; traz os animais para o mundo humano. A partir daqui podemos compreender o que significa o nome de Deus: Deus produz e permite relação entre Ele e nós. Deus se torna invocável. Deus entra em relação conosco e nos permite relação com Ele. Ele se entrega ao mundo dos homens. Deus, tornando-se invocável, torna-se também vulnerável. Toda relação tem um risco, e Deus assume o risco da relação conosco.

Em Jesus, o verbo encarnado, Deus torna-se realmente acessível. Deus agora tem um nome: Jesus. Na oração sacerdotal – Jo, 17 -, Jesus mesmo se apresenta como o novo Moisés: “Revelei o teu nome aos homens…”. O que começou na sarça ardente do Monte Sinai, terminou na sarça ardente da cruz. Jesus, a partir da sua encarnação pertence ao nosso mundo; foi entregue em nossas mãos.

Podemos compreender então esse pedido do Pai-Nosso, para que o nome de Deus seja santificado. Deus, tornando-se acessível pode ser abusado e desonrado; Deus pode ter sua imagem deformada. Quanto mais Ele se aproxima tanto mais podemos abusá-Lo e não O reconhecer.

Termino com as palavras de Bento XVI: “…este pedido representa para nós um enorme exame de consciência: como é que eu me relaciono com o santo nome de Deus? Situo-me com respeito diante do mistério da sarça ardente, diante do modo inefável da sua proximidade até a presença na Eucaristia, na qual Ele realmente se entrega em nossas mãos? Preocupo-me que a presença de Deus no meio de nós não seja jogada na lama, e que nos puxe para cima, para a sua pureza e santidade?”.

Adilson Angolini – Oblato Corpus Christi


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