A verdadeira fé



26 novembro, 2013


Neste artigo trataremos um tema muito comum entre nós cristãos, mas que, porém poucas pessoas sabem exatamente do que se trata. Trataremos sobre a Fé. A fé é um tema muito discutido dentro e fora do meio cristão, pois ela nos dá certas “asas” (ainda que espirituais) que nos permitem subir para além de nós mesmos. Muitos mistérios sondam a fé, coisas que nós nem podemos imaginar, pessoas são curadas, graças alcançadas, dívidas são pagas milagrosamente (oba! rsrsrs), milagres acontecem, pessoas vêem coisas, outros se desgastam pela fé, ficam dias sem comer, sobem escadarias de joelhos, fazem promessas… Porém a principal característica de uma fé verdadeira não está em nenhuma dessas manifestações extraordinárias, entenda aqui que eu não estou de modo algum julgando ou condenando qualquer tipo de pessoa que tenha uma dessas práticas ou que tenha recebido qualquer um desses milagres, estou apenas dizendo que a fé é muito mais do que isso, muito mais do que manifestações “extraordinárias” a verdadeira fé acontece “ordinariamente”, ou seja, em nosso dia a dia, no quotidiano de nossas vidas.

Recebemos a fé no dia de nosso Batismo. A fé é uma disposição essencial para seguirmos Jesus Cristo no caminho da Santidade. O grande problema da das pessoas com relação à religião é esse, as pessoas se interessam muito por coisas extraordinárias e “torcem o nariz” quando falamos em busca de Santidade. Tenho certeza que muitas pessoas (senão a grande maioria) irão desistir de ler essa matéria pelo fato de que já perceberam que não falarei aqui sobre os grandes milagres e manifestações, mas sobre a fé verdadeira que nos “abastece” e sustenta no caminho da santidade. Mas para você que decidiu ler a matéria até o fim saiba que há muito que precisamos saber a respeito da fé.

O Espírito de fé consiste em uma convicção tão profunda das verdades da religião, que aquele que possui este espírito se vê tomado pela fé em todo o seu ser. A fé o “possui” em todos os âmbitos de sua vida, penetra-o, anima-o. É o que São Paulo, Apóstolo chama de “viver da fé”. Viver da fé é considerar as coisas naturais como coisas sobrenaturais e as coisas que são consideradas sobrenaturais considerar como naturais. Vamos ser mais precisos?

Considerar as coisas naturais como sobrenaturais.

A fé nos move a “elevar” as coisas naturais e comuns do dia a dia, tais como: Os afazeres domésticos e lavar, passar e cozinhar, os trabalhos e serviços quotidianos, o relacionamento familiar e comunitário… Tudo pode nos elevar e nos conduzir à Deus. Aliás, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina ainda mais quando está nos ensinando sobre a missão e vocação dos leigos:“[...]todas as suas obras, preces e iniciativas apostólicas, vida conjugal e familiar, trabalho cotidiano, descanso do corpo e da alma, se praticados no Espírito, e mesmo as provações da vida, pacientemente suportadas, se tornam ‘hóstias espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo’ (l Pd 2,5), hóstias que são piedosamente oferecidas ao Pai com a oblação do Senhor na celebração da Eucaristia. É assim que os leigos consagram a Deus o próprio mundo, prestando a Ele, em toda parte, na santidade de sua vida, um culto de adoração.”(CIC§ 901). Enfim, pela fé nós conseguimos transformar simples trabalhos quotidianos em grandes momentos de oração e encontro com Deus. Não somente os afazeres quotidianos, mas também todos os momentos e de nossa vida, sejam momentos tristes ou felizes tudo pode ser encarado com outro olhar se formos pessoas de fé. Tenho pena das pessoas que pensam que pelo simples fato de ter fé, serão livres e preservados de momentos difíceis e de sofrimentos. Muito se engana quem pensa assim, pois a fé não nos livra do sofrimento, ao contrário nos dá força e sustento para podermos resistir as tribulações da vida.

Considerar as coisas sobrenaturais como naturais.

Infelizmente hoje em dia, quando se fala de fé ou de “vida espiritual” logo vem ao nosso coração um sentimento quase que platônico da vida. Encaramos as coisas espirituais não como coisas reais, mas as vemos sob um olhar quase que “fantasioso”, quando na realidade a vida espiritual é tão real quanto essa vida material que vivemos. Ambas dimensões são importantes em nossa vida, pois uma coisa reflete na outra e, portanto, se abraçamos uma e excluímos a outra nossa vida fica “capenga”.

A fé nos faz acreditar que verdadeiramente a todo o momento estamos em “batalha espiritual”, e por isso não podemos vacilar em momento algum. Não podemos dar brechas, pois o nosso adversário, o diabo, nos rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar (Cf. IPe. 5,8-9a). O homem que vive da fé se importa realmente com suas escolhas pois sabe que cada uma dessas escolhas pode conduzi-lo ao céu ou ao inferno em sua eternidade. Além do que o homem que vive da fé percebe em si próprio os movimentos do mundo, de sua própria carne com suas paixões, e do próprio demônio, percebe também quais são os movimentos do Espírito em si e sabe discernir a todo instante qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.

A fé tem todo o poder sobre o coração de Deus.

Nosso Senhor prometeu que nada seria recusado jamais à oração que é animada de uma fé viva: “Tudo o que pedirdes com fé na oração, vós o alcançareis”(Mt 21,12). A fé na oração se torna como diz Santo Agostinho: “a nossa força, e a fraqueza de Deus”. O Senhor se encanta com um coração animado pela fé, vemos diversos casos de pessoas que alcançaram grandes graças porque grande era a sua fé. Foi assim com aquela Cananéia que foi tratada pelo Senhor de cachorrinha (Cf. Mt 15,28), foi assim com aqueles dois cegos que clamavam piedade ao Filho de Davi (cf. Mt 9,29), foi assim também com aquela mulher que sofria com um fluxo de sangue por doze anos (Mt 9,22)… Entre outros vários testemunhos que podemos encontrar na sagrada escritura.

A fé tem poder sobre o coração do homem.

A fé também nos dá a graça de superarmos a nós mesmos. Este mundo nos propõe felicidade de muitas formas, porém, aquilo que o mundo nos oferece é uma felicidade vazia que por um instante parece até algo bom, mas no fundo, são apenas sombras que passam. A fé nos dá a graça de tirarmos a nossa esperança deste mundo vazio de sentido e significado e colocarmos a nossa esperança no céu, onde as coisas não passam e onde se esconde a nossa verdadeira felicidade. Somos hoje chamados a dar a nossa vida pela fé. O Apóstolo São Paulo nos dá um grande testemunho do que homens puderam fazer por causa da fé: “Graças à sua fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, viram se realizar as promessas. Taparam bocas de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio de espada, triunfaram de enfermidades, foram corajosos na guerra e puseram em debandada exércitos estrangeiros. Devolveram vivos às suas mães os filhos mortos. Alguns foram torturados, por recusarem ser libertados, movidos pela esperança de uma ressurreição mais gloriosa. Outros sofreram escárnio e açoites, cadeias e prisões. Foram apedrejados, massacrados, serrados ao meio, mortos a fio de espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelha e de cabra, necessitados de tudo, perseguidos e maltratados, homens de que o mundo não era digno! Refugiaram-se nas solidões das montanhas, nas cavernas e em antros subterrâneos. E, no entanto, todos estes mártires da fé não conheceram a realização das promessas! Porque Deus, que tinha para nós uma sorte melhor, não quis que eles chegassem sem nós à perfeição (da FELICIDADE)”. (Hb 11 33-40). E nós o que faremos com a fé que recebemos no Batismo?

Douglas Gonçalves – Oblato Corpus Christi


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