A oração do Pai Nosso (parte 5) – “Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu”



20 janeiro, 2014


Na oração do “Pai Nosso”, rezamos a Deus para que a vontade dele seja feita aqui na terra como é feita no céu. Segundo Bento XVI, no primeiro livro escrito por ele, da série sob o título “Jesus de Nazaré”, há uma vontade de Deus para conosco e para nós, que se manifesta à medida do nosso ser e do nosso querer. O “céu” é o lugar onde a vontade de Deus acontece sem violações, ou, em outras palavras, onde a vontade de Deus acontece, aí é o “céu”. O que significa “céu”, senão estar em unidade com a vontade de Deus? A terra se torna cada vez mais “céu” à medida que se aproxima da vontade de Deus; o homem se torna “céu” do mesmo jeito, quando procura realizar a vontade Deus, e o oposto, se torna inferno, quanto mais se distancia da vontade divina.

Mas qual é a vontade de Deus a nosso respeito? Como saberemos e como a realizaremos? O homem, no seu íntimo, em sua consciência, em sua alma, sabe dela e a pode reconhecer, pois foi criado à imagem e semelhança de Deus. Este saber da vontade de Deus, infelizmente, foi enterrado pelo homem, sepultado pelos muitos de seus preconceitos em relação a ela. Nem por isso Deus se distanciou do homem, falou-lhe em palavras, para que o conhecimento de sua vontade, escondido no interior do homem, viesse às claras e se tornasse vida. Os dez mandamentos, dados à humanidade por Deus através de Moisés, no monte Sinai, nos dá um exemplo claro disso: Deus diz o que espera do homem. Esta lei, a do monte Sinai, não está abolida, nem de modo algum envelhecida.

A vontade de Deus, revelada a nós por sua palavra, não nos é imposta de fora: é uma revelação da essência de Deus e a explicação do que somos de verdade. Esta palavra, que contém a vontade de Deus e justamente a verdade, nos liberta da autodestruição e da mentira. Quem vive a partir da palavra de Deus, vive na vontade de Deus e se torna justo.

Vamos agora a Jesus, junto ao poço de Jacó, quando diz: “meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou”. Essa passagem está ligada à sua missão: estar unido à vontade do Pai é sua razão de viver e o núcleo do seu ser. Toda a missão de Jesus está resumida nessas palavras, contidas na carta aos Hebreus: “Sim, em venho para fazer a tua vontade”.

Jesus, palavra encarnada de Deus, é no sentido profundo e próprio “o céu”, onde a vontade de Deus acontece plenamente. Se olharmos para Jesus, veremos que por nós próprios não podemos ser justos: o peso da nossa vontade atrai-nos para baixo, para longe de Deus, fazendo-nos simplesmente “terra”.

Apesar de nós mesmos, Jesus nos atrai para junto de si, e nesta comunhão aprendemos a vontade de Deus. Assim, neste pedido do “Pai Nosso”, pedimos para estar sempre próximos de Jesus e que a vontade de Deus vença o nosso egoísmo e nos torne capazes da altura para a qual fomos chamados.

Adilson Angolini – Oblato Corpus Christi


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