A oração do Pai Nosso (parte 2) – “Pai Nosso que estais nos céus”



16 novembro, 2013


Dando continuidade à meditação do “Pai Nosso”, segundo o papa emérito Bento XVI, vamos refletir hoje um pouco sobre a primeira frase da oração: “Pai Nosso que estais nos céus”.

A palavra “Pai”, para nós, é de grande consolação. Poder dizer Pai não é pouca coisa, pois nessa única palavra está contida toda a história da salvação. Foi Jesus quem nos revelou o Pai; e se Jesus mesmo nos ensinou a chamar a Deus de Pai, foi porque se fez nosso irmão. Como nos nossos dias a figura do pai, a presença do pai está ausente, talvez a palavra Pai, e a grande consolação que traz, não seja para nós importante, infelizmente.

Mas o que significa realmente Pai? Nos discursos de Jesus, o Pai aparece como a fonte de todo o bem, como a medida do homem reto: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem, para que vos torneis filhos do Pai que está nos céus; Ele de fato faz nascer o sol sobre os maus e os bons…” (Mt 5,44-45) Jesus na cruz, ao orar por aqueles que o crucificavam, mostrou a essência do Pai, que é amor levado até o fim. Jesus, amando até o fim, é totalmente “Filho” e convida-nos a sermos filhos nessa mesma medida: de amar até o fim.

Quando Jesus nos ensina a conhecer a essência do Pai a partir do amor ao inimigo e a realiza sobremaneira na hora da sua crucificação, amando e orando pelos seus algozes, fica perfeitamente clara a relação entre o Pai e o Filho. Na figura do Filho conhecemos quem e como é Deus. Pelo Filho, e somente por Ele, é que encontramos o Pai. O “Pai Nosso” não projeta uma imagem humana no céu, mas mostra-nos a partir do céu, a partir de Jesus, o que nós podemos e devemos ser.

Jesus nos recorda que os pais não dão uma pedra aos seus filhos que lhes pedem pão e ainda: “se vós que sois maus dais aos vossos filhos o que é bom, quanto mais o vosso Pai que está nos céus dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem”.  Prestemos bastante atenção: o dom de Deus é Deus mesmo! Torna-se surpreendentemente claro quando oramos: a oração não se trata disto ou daquilo, mas sim que Deus quer se oferecer a nós. Este é o dom de todos os dons, o único necessário. A oração é o caminho que purifica nossos desejos e nos leva calmamente a conhecer o que realmente nos falta: Deus e o seu Espírito.

A paternidade de Deus apresenta para nós duas dimensões. Deus é antes de mais nada nosso Pai, porque é nosso Criador. Pertencemos a Ele. Nesse sentido, já a partir da criação, o homem é de modo especial “filho” de Deus. O ser “imagem de Deus” é a segunda dimensão da paternidade divina. Cristo é de um modo único “imagem de Deus”. Os Padres da Igreja afirmam que Deus, quando criou o homem “à sua imagem”, olhou antecipadamente para Cristo e criou o homem segundo a imagem de Cristo. E mais: Jesus é num sentido próprio “o Filho”, de um mesmo ser que o Pai, mas nos toma na sua humanidade e assim na sua filiação.

Não somos ainda filhos de Deus de um modo acabado, mas nos tornaremos sempre mais através da profunda comunhão com Jesus. Ser filho torna-se assim, o mesmo que seguir a Cristo.

Devemos pensar ainda na palavra “Nosso”. Ela exige de nós que deixemos a clausura do nosso eu, que nos desfaçamos daquilo que nos é próprio, daquilo que separa. Ela exige de nós aceitarmos os outros. Assim, o “Pai Nosso” é uma oração totalmente pessoal e inteiramente eclesial. Rezamos em comunhão com todo o povo de Deus, vivos e mortos, de todos os estados, culturas, países e raças. A oração do “Pai Nosso” faz de todos nós uma só família.

Resta ainda o “que estais nos céus”. Estas palavras não nos deslocam para uma altura muito distante, mas que todos nós, que temos pais terrenos diferentes, viemos todos de um único Pai, origem de toda paternidade. A paternidade de Deus é mais real que a humana, porque é dEle que temos o ser, Ele quem pensou em nós e nos quis eternamente. Se a paternidade da terra um dia separa, a celeste une: céu significa outra elevação de Deus, de onde todos nós viemos e para onde todos devemos ir.

Adilson Angolini – Oblato Corpus Christi



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